quarta-feira, 16 de março de 2011

Meu filho no Japão neste momento de dificuldades




Queridos amigos,

Neste momento tão difícil pelo qual nossa planeta está passando, quero partilhar com vocês uma história bastante pessoal: A de meu filho que está no Japão.

Alguns de vocês me conhecem por cursos que realizei, outros apenas por emails que envio como uma forma de partilhar aquilo que considero que possa ser útil em nosso crescimento espiritual.

Penso que este é um momento de união e partilha, pois há muitas mudanças ocorrendo.

Por algum motivo tivemos que passar pela experiência que estamos passando.

Peço que me perdoem se este email causar algum transtorno, mas senti em meu coração que por teste de humildade, de sinceridade e amor por todos, devo dividir com todos esta minha experiência.

Escrevo abaixo a história que quero partilhar e agradeço a atenção de todos, enviando-lhes o meu mais intenso e infinito abraço de Luz, com todo o amor do meu coração.

Que os anjos cuidem de cada um e de todos vocês.

Iara

* *


A história

Meu filho Erik foi para o Japão há 8 anos, naquela época com 24 anos, com o objetivo de tentar construir uma vida nas terras de seu avô. Lá, ele conheceu Yuriko, uma peruana de 18 anos, com um filho de 4 meses.

Apaixonaram-se e como meu filho sempre foi um apaixonado por crianças, também se apaixonou por aquele bebe que preencheu seu coração com todo amor que uma pessoa amorosa como ele sabe sentir.

Quando meu filho tinha 4 aninhos, viu na televisão uma reportagem que falava de uma criança que tinha sido abandonada por sua mãe. Ele olhava para a televisão atento e depois que terminou a reportagem me disse: "Mamãe, vamos comprar uma casa muito grande e adotar todos as crianças do mundo que não tem mamãe e você será a mamãe minha e delas..." - isto me comoveu muito.

No Japão, ele passou a viver junto com Yuriko e assumiu o pequeno Leo(Leonardo) como seu filhinho e tem cumprido todas as responsabilidades de um bom pai.

Há um ano nasceu a Erika, minha netinha bebe, que veio ainda mais preencher a vida do meu filho com amor. De forma inesperada, a esposa do meu filho ficou grávida novamente e, como eles acreditam que a vida é mais importante que tudo, ficaram um pouco preocupados, mas ao mesmo tempo, felizes com a vinda desta criança. Eles queriam vir para o Brasil há algum tempo já, mas a crise do Japão também lhes bateu na porta e ficaram sem trabalho por lá.

Há um mês ele conseguiu novo trabalho. Eles tiveram muitos gastos e como tinham toda estrutura de vida lá, decidiram permanecer por mais um tempo para tentarem se reorganizar financeiramente para poderem regressar.

Porém, os últimos acontecimentos fizeram com que essa vontade de regressar ao Brasil se transformasse em necessidade.

Eles moram em Hiratsuka, na província de Kanagawa e neste momento, com o alerta de Tsunami constante, eles decidiram ir para a casa do irmão da Yuriko que fica mais distante do mar e em uma região um pouco mais alta. Com o terremoto, a especulação chegou por lá, pois sem ônibus, sem trem, a única forma de locomoção era com os poucos taxis caríssimos que circulavam pela cidade.

Pensando na necessidade de seus filhos, eles trataram de comprar algo de comida e água do pouco que encontraram à venda.

Neste momento a situação é a seguinte: Eles têm água para dois dias, comida para três e não encontram nada para comprar, pois todos os supermercados estão vazios.

Ligaram para a Embaixada do Brasil lá, mas a informação que recebem é que a Embaixada dá prioridade de ajuda para os que estão no Norte que foi a região mais atingida pelo terremoto e pelo tsunami. Eles se sentem abandonados pela embaixada, pois não tem onde comprar água e nem como receber ajuda por lá.

Ele continua acalmando sua família e tentando manter o bom humor e a paz interior, mas eu o vejo triste, claro, apesar de procurar disfarçar.

Com o vazamento das Usinas Nucleares, o ar está se contaminando, a água da torneira esta contaminada, a comida fresca está contaminada. Enlatados não encontram para comprar. Neste momento, o ideal é que se exponham o mínimo, sem sair à rua, permanecendo em casa com porta e janelas fechadas por causa da contaminação do ar.

Prateleiras de um supermercado no Japão



Quando eu falava com ele hoje pelo skype (que felizmente temos conseguido), às 10 horas da manha do Brasil e 10 da noite no Japão, para saber como estavam tudo por lá, ele estava tentando manter a calma para levar sua família adiante. Dizia que estava procurando brincar com as crianças, manter a esposa calma, porque no dia do grande terremoto, ele teve que levá-la para o hospital porque com o tremor, ela caiu na escada durante a fuga. No meio de nossa conversa ele disse:"Mamãe, espera! Terremoto!" - E saiu correndo.

Voltou a falar comigo passado alguns minutos e me disse que tinha acontecido outro terremoto naquele momento, de 6.2 e o epicentro foi mais próximo da região em que eles estão. Depois disso, tiveram mais dois, de aproximadamente 5.5 pontos. Ele continuou tentando manter a calma e eu lhe disse para tentar descansar apesar da situação, pois há quase 4 dias não pode dormir. Neste momento estou aguardando que ele entre no skype e me diga como está tudo.

Ele quer voltar com sua família para o Brasil e é tudo o que eu mais quero.

Estão já quase sem dinheiro e quase sem comida. Eu ia enviar-lhe algo de dinheiro hoje, mas decidi tentar mover todos os meios para trazê-los para casa. E depois ele terá que recomeçar sua vida aqui, encontrar trabalho, escola para as crianças e montar um lar para sua família.

Como o pequeno Leo não é seu filho legitimo, ele precisa de uma autorização para trazê-lo ao Brasil, dada pelo pai, que diz que sim, pode dar. Porém esta autorização tem que ser expedida pelo Consulado do Brasil que está em Tóquio e que neste momento é um local muito contaminado pela radioatividade. A esposa teria que ir a Toquio e neste momento deve tentar se expor o mínimo possível por causa do bebe em formação.

Meu pedido:

Quero pedir-lhes humildemente que me ajudem neste processo.

Preciso de vários tipos de ajudas.
Quero trazê-los ao Brasil.
Preciso de ajuda de todos no sentido de que rezem por eles e para que eu consiga.

Preciso de ajuda daqueles que conhecem alguém no governo, ou no Itamaraty para facilitar a saída deles do Japão e se possível ajuda financeira do governo para trazê-los.

Hoje já é dia 16 de março no Japão, e é aniversário do meu filho.
Quero muito dar este presente e ajudá-lo a sair desta difícil situação.

Eu agradeço a todos por terem lido este longo email, e envio meu amor, minha gratidão para todos vocês pelas vibrações e orações que possam fazer.





Meu filho e meu neto Leo



Eles estão todos reunidos na casa do cunhado do meu filho, por seu um local um pouco mais longe do mar e um pouco mais alto, com sua mãe e seu filhinho de 5 anos.




Que a Luz os envolva,

Com amor,
Iara

Se precisarem de algum detalhe mais para ajudar, por favor, me escrevam.

email

portaldeorion888@gmail.com

iaraguilherme@hotmail.com



2 comentários:

Carla disse...

Emociona a história de teu filho Iara. Deus é infinitamente grande e há te te dar toda a estruuta de que necessitas para trazer tua família de volta. Penso que deves divulgar de uma maneira maior para chamar mais a atenção das autoridades. Somente minhas preces posso te oferecer, e vou entregar nas mãos de Deus e de Jesus estas lindas pessoas que estão nas fotos e tudo há de acabar bem, acredita piamente nisto e tudo se realizará. Sinto não conhecer alguém importante para te ajudar. Fé, Força e Otimismo! Vocês vão conseguir!!!
Abraço sincero,
Carla.

Portal de Órion disse...

Querida Carla, grata pelo teu comentário e pela solidariedade.Nossas oraçoes unidas por todos os que estão no Japão neste momento, é muito importante se torna mais forte. Estou que os anjos estão atuando e cuidando o máximo possível deles.
UM enorme abraço de luz e fica com os anjos.